Coleção Aurora

Inspirado na obra de Arnaldo Antunes

A obra de Arnaldo Antunes me acompanha há muito tempo. Menos como referência, mais como presença. A forma como ele trata a linguagem — fragmentando-a até que cada pedaço carregue um peso próprio — sempre me afetou de um jeito que é difícil de nomear. Era uma questão de tempo até isso virar jóia.

O ponto de partida desta coleção foi uma imersão: ouvi o álbum inteiro de uma vez, sem parar, prestando atenção à música, às melodias, ao ritmo das palavras. Queria sentir o que estava ali antes de decidir o que fazer com isso. Foi nessa escuta que “Sou Só” — a parceria com Marisa Monte — tomou conta de tudo.

A música coloca o sol na posição de narrador e, a partir daí, tudo o que ele é no mundo — sua força, seu movimento, seu rastro de luz — passa a ser o vocabulário da peça.

Processo criativo

O processo de criação começou nos croquis. Explorei espirais em diferentes tensões, redemoinhos que se fechavam sobre si mesmos, curvas que prometiam continuar além da borda da peça. A referência que chegou mais perto foi o diagrama científico de uma espiral de furacão — aquela geometria do movimento contínuo, que gira em torno de um centro sem nunca parar.

A decisão mais difícil foi editar. Havia muito para dizer, e jóia não comporta tudo. Ficou o essencial: a espiral em ouro branco, a gema central em rodolita — vermelha como o núcleo do sol — e um degradê de pedras que se abre da ametista à morganita, percorrendo a mesma escala de cor que uma aurora boreal. A explosão solar, vista de longe, se tornando luz.

Coleção Aurora - o sol como narrador

A coleção é composta por três peças com o mesmo desenho, repetido em escalas diferentes: anel, colar e broche. A ideia era que a mesma forma pudesse habitar o corpo de maneiras distintas — próxima da pele, próxima do coração, sobre o tecido. Cada escala muda a relação da peça com quem a usa, sem mudar o que ela diz.

Resultado

Aurora é o nome que essa coleção ganhou em referência direta à aurora boreal — o fenômeno que acontece quando uma explosão solar atinge a atmosfera terrestre e se transforma em cor. É exatamente isso que a coleção tenta traduzir em metal e pedra: a presença do sol que, mesmo estando longe, atravessa tudo e se faz sentir.

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